Passado mais de um ano da descoberta desta pedra preciosa do cinema, revi a noite passada “O Despertar da Mente”, com todos os extras a que o DVD nos dá direito. E pareceu-me quase indecente não ter qualquer referência a este filme por aqui.
“O Despertar da Mente” é um filme sobre o amor e sobre a dor, e sobre as loucuras que fazemos para que um permaneça e a outra termine.
Joel (Carrey) fica chocado ao descobrir que a sua namorada Clementine (Winslet) apagou as memórias da sua tumultuosa relação. Desesperado, ele contacta a empresa Lacuna, Inc. e o médico inventor deste processo, o Dr. Howard Mierzwaik (Wilkinson), para que ele elimine todas as suas recordações de Clementine.
Com a viagem pelas usas memórias e o seu progressivo desaparecimento, Joel redescobre todas as razões que o levaram a apaixonar-se por Clementine. À medida que o Dr. Mierzwiak e a sua equipa (Wood, Ruffalo e Dunst) perseguem todos os episódios que deverão ser apagados, Joel tenta, desde a sua mente, salvar Clementine dentro da sua memória.
Construído de uma forma fragmentada, quase delirante, mas de uma coesão praticamente sem falhas, este é, até à data, o melhor argumento de Charlie Kaufman (“Being John Malkovich” (1999), “Adaptation” (2002) e “Confessions of a Dangerous Mind” (2002), os dois primeiros de Spike Jonze e o terceiro de George Clooney), reconhecido com o Oscar para Melhor Argumento Original em 2004.
A realização de Michel Gondry é criativa e ágil, reduzindo a utilização de efeitos especiais, construindo cenários que deturpam as dimensões da realidade, fazendo os actores duplicarem-se numa cena apenas mudando de roupa e fugindo por trás das câmaras. Numa constante batalha entre realidade e memória, a realização de Gondry permite-nos acompanhar a complexidade da história através de uma construção visual de cores e texturas.
O elenco é invejável e as interpretações supremas, com destaque para o par protagonista, ambos fora dos parâmetros a que nos habituaram e, talvez por isso mesmo, ainda mais convincentes.
Ao ver este filme somos arrastados, sem possibilidade de retorquir, para uma vertigem alucinante que nos obriga, em cada momento, a discernir de que lado do cérebro estamos, dentro ou fora. A única dificuldade que não temos é, no final, decidir se este é ou não um dos filmes d’A LISTA.
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